sexta-feira, maio 04, 2007

Sobre os pecados que se têm que evitar, suas raízes e consequências

Como ensina São Gregório Magno e depois de ele, São Tomás, os pecados capitais de vanglória ou vaidade, preguiça, inveja, ira, gula e luxúria não são os mais graves de todos, pois são menores que os de heresia, apostasia, desespero e ódio a Deus; mas são os primeiros a que se inclina o nosso coração e conduzem nos a afastarmo-nos de Deus e outras faltas ainda mais graves.
O homem não chega de repente a uma perversidade absoluta, senão pouco a pouco. Examinemos primeiro, em si mesma a raíz dos sete pecados capitais. Todos eles se originam no amor desordenado de si mesmo ou no egoísmo, que não nos deixa amar a Deus sobre todas as coisas e nos inclina a apartarmo-nos de Ele. É evidente que pecamos, isto é, que nos desviamos de Deus e nos alheiamos de Ele cada vez que nos inclinamos a um bem criado de uma maneira não conforme com a vontade divina.
Isto só acontece como consequência de um amor desordenado de nós mesmos, que vem a ser assim a fonte de todo o pecado. Por conseguinte, não só é necessário moderar esse amor desordenado, o egoísmo, como é preciso mortifica-lo, para que ocupe em seu lugar o amor ordenado.
Enquanto que o pecador em estado de pecado mortal se ama a si mesmo sobre todas as coisas e praticamente se antepõe a Deus, o justo ama a Deus mais do que a sí e de resto deve amar-se em Deus e por Deus. Deve amar o seu corpo de tal maneira que sirva a alma, em vez de lhe servir de obstáculo para a vida superior. Há que amar a sua alma conduzindo-a a participar eternamente da vida divina. Há que amar a sua inteligência e vontade, de modo que cada vez participem mais da luz e do amor de Deus. Este é o profundo sentido da mortificação do egoísmo, do amor-próprio e da vontade própria, oposta à vontade de Deus. Há que evitar a que vida desça e pelo contrário, há que fazer que se eleve até Aquele que é a fonte de todo o bem e de toda a beatitude.
O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, degundo diz o Senhor: “Quem ama [desordenadamente] a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia [ou mortifica] a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.” (Jo. 12, 25). Desse amor desordenado, raiz de todos os pecados, nascem as três concupiscências que nomeia São João (1 Jo. 2, 16) quando diz: “Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo.”

Observa São Tomás que os pecados carnais são mais vergonhosos que os do espírito porque nos rebaixa ao nível do animal; mas que os do espírito, os únicos que há no demónio, são mais graves, porque vão directamente contra Deus e nos alheia d’Ele.

A concupiscência da carne é o desejo desordenado do que é ou parece útil à conservação do indivíduo ou da espécie e de este amor sensual provem a gula e a luxúria. A concupiscência dos olhos é o desejo desordenado do que agrada à vista, do luxo, das riquezas, do dinheiro que procura os bens terrenos; dela nasce a avareza. A soberba da vida é o amor desordenado da própria excelência e de todo aquilo que possa fazer realçar. Aquele que se deixa levar pela soberba termina fazendo-se a si mesmo seu próprio deus como Lúcifer. De aqui se vê a importância da humildade, virtude fundamental, como o orgulho é a fonte de todo o pecado.

São Gregório e São Tomás ensinam que a soberba é mais que um pecado capital: é a raiz da qual procedem sobre tudo quatro pecados capitais: vaidade, preguiça espiritual, inveja e ira. A vaidade é o amor desordenado de louvores e de honras, a preguiça espiritual se entristece pensando no trabalho requerido para santificar-se, a ira, quando não é uma indignação justificada mas um pecado, é um movimento desordenado da alma que nos inclina a rejeitar violentamente o que nos desagrada, de donde se seguem as disputas, injurias e vociferações.

Estes pecados capitais, sobre tudo a preguiça espiritual, a inveja e a ira, engendram péssima tristeza que aflige a alma e são tudo o contrário da paz espiritual e do gozo que são os frutos da caridade. Todos estes germens de morte deve o homem não só moderar mas mortificar. A prática generosa da mortificação dispõe a alma a outra mais profunda purificação que Deus mesmo realiza, com o fim de destruir totalmente os germens de morte que todavia subsistem na nossa sensibilidade e em nossas faculdade superiores.

Mas não basta considerar as raízes dos sete pecados capitais; é preciso analisar as suas consequências. Por consequências do pecado se entende geralmente as más inclinações que os pecados deixam no nosso temperamento, ainda depois de apagados pela absolvição. Mas também pode entender-se por consequências dos pecados capitais, os demais pecados que têm sua origem neles.
Os pecados capitais se chamam assim porque são como o princípio de muitos outros; temos primeiro a inclinação até eles, e depois, por eles, até outras faltas e às vezes mais graves. Assim é como a vanglória engendra desobediência, jactância, hipocrisia, disputas, discórdias, ânsia de novidades, pertinácia.
A preguiça espiritual conduz ao desgosto das coisas espirituais e do trabalho na santificação, na razão do esforço que exige e engendra a malícia, o rancor ou amargura pelo próximo, cobardia ante o dever, desânimo, a cegueira espiritual, o esquecimento dos preceitos, e a busca de coisas proibidas.
Assim mesmo a inveja ou desagrado voluntário do bem alheio, como se fosse um mal para nós, engendra o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria do mal alheio e a tristeza por seus triunfos.
A gula e a sensualidade engendram por sua vez outros vícios e podem conduzir à cegueira espiritual, ao endurecimento do coração, ao apego da vida presente até perder a esperança da eterna, e o amor de si próprio até ao ódio de Deus e à impenitência final.
Os pecados capitais com frequência são mortais. Podem existir de uma maneira muito vulgar e baixa, como em muitas almas em pecado mortal, ou bem podem existir também, como o nota São João da Cruz, numa alma en estado de graça como outros tantos desvios da via espiritual. Por isso se fala as vezes da soberba espiritual, da gula espiritual, da sensualidade e da preguiça espiritual. A soberba espiritual inclina, por exemplo, a fugir daqueles que nos dirigem repreensões, ainda que tenham autoridade para tal e no-lo dirigem justamente; também pode levar-nos a guardar-lhes algum rancor no nosso coração. Quanto à gula espiritual, poderia fazer-nos desejar consolos sentimentais na piedade, até ao ponto de procurar-nos mais nela do que o próprio Deus. É com o orgulho espiritual, a origem do falso misticismo. Felizmente, à diferença das virtudes, estes vícios não estão conexos, isto é, se podem possuir uns sem os outros, e muitos são até contrários: assim, não é possível ser avarento e pródigo ao mesmo tempo.

A enumeração de todos estes tristes frutos do transbordado amor a si mesmo deve levar-nos a fazer um sério exame de consciência e nos ensina, ademais, que o terreno da mortificação é muito extenso, se queremos viver uma profunda vida cristã.

O exame de consciência, longe de nos apartarmos do pensamento de Deus, nos volve a Ele. E ainda é preciso pedir-lhe a sua luz para ver um pouco a alma como Deus mesmo a vê, para ver o dia ou a semana que passou, como se os víssemos escritos no livro da vida, como o veremos o dia do último juízo. Por isto temos de passar cada noite, com e humildade e contrição, as faltas cometidas de pensamento, palavra, acto e omissão. No exame há que se evitar a minuciosa investigação das mais pequenas faltas, tomadas em sua materialidade, pois semelhante esforço poderia nos fazer cair nos escrúpulos e esquecer as coisas mais importantes. Trata-se menos de fazer uma completa enumeração das faltas veniais do que investigar e acusar sinceramente o princípio de onde geralmente procedem em nós.
A alma não deve deter-se demasiado na consideração de si mesma, desejando ver Deus. Deve, ao contrário, perguntar-se, dirigindo-se a Deus: “Como julgará Deus este dia ou esta semana agora terminada? Tereis buscado Deus ou tereis buscado antes a mim? “
Assim, sem perturbação, a alma tem de se julgar desde um plano elevado, à luz dos divinos preceitos, tal como se julgará no último dia. Mas como disse Santa Catarina de Siena, não separaremos a consideração de nossas faltas do pensamento da infinita misericórdia. Olhemos para nossa fragilidade e miséria à luz da infinita bondade de Deus que nos levanta.
O exame feito deste modo, longe de nos desanimarmos, aumentará a nossa confiança em Deus.

Avistar os nossos pecados nos faz assim compreender, por contraste, o valor da virtude. O que melhor nos faz compreender quanto vale a justiça, é a dor que a injustiça nos produz. É preciso a visão da injustiça que cometemos e o pesar de tê-la cometido faça nascer em nós a “ fome e sede de justiça”. É necessário que, por contraste a formosura da pureza; que a desordem da ira e da inveja nos faça compreender o alto valor da mansidão e da caridade; que as aberrações da soberba nos ilustrem sobre a alta sabedoria da humildade.
Peçamos a Deus que nos inspire um santo aborrecimento do pecado que nos separa da divina bondade, da que tantos benefícios recebemos e temos de esperar para o vindouro. Esse santo ódio do pecado não é, em certo modo, senão o reverso do amor de Deus. É impossível amar profundamente a verdade sem detestar a mentira; amar de coração o bem, e o soberano Bem que é Deus, sem que simultaneamente detestemos o que nos separa de Deus. A maneira de evitar a soberba é pensar com frequência nas humilhações do Salvador e pedir a Deus a virtude da humildade. Para reprimir a inveja temos de rogar pelo próximo, desejando-lhe o mesmo bem que para nós desejamos. Aprendamos igualmente a reprimir os movimentos da ira, afastando-nos dos objectos que a provocam, e agindo e falando com doçura. Esta mortificação é absolutamente indispensável. Pensemos que temos que salvar nossa alma e que no nosso redor há muito bem para fazer, sobretudo na ordem espiritual. Não deitemos no esquecimento que devemos trabalhar para o bem eterno dos demais, para consegui-lo, os meios que o Salvador nos ensinou: a morte progressiva ao pecado, mediante o progresso nas virtudes e sobretudo no amor de Deus.

[Stat Veritas, REGINALDO GARRIGOU-LAGRANGE, “Las tres edades de la vida interior”, (2007). DE LOS PECADOS QUE SE HAN DE EVITAR, SUS RAÍCES Y CONSECUENCIAS , em: http://www.statveritas.com.ar/Espiritualidad/Garrigou-Lagrange-01.htm, acedido a 04/05/2007]

quinta-feira, maio 03, 2007

A Fé

Diz-nos Santo Agostinho sobre a Fé:

"Fides si non cogitatur nulla est" ("De praedestinatione sanctorum", 5; PL 44, 963).

"A Fé, sem razão, é nula" (1)
.........................................................

O Concílio Vaticano I também nos fala sobre a Fé, e diz entre outras definições:

1797. Porém, ainda que a fé esteja acima da razão, jamais pode haver verdadeira desarmonia entre uma e outra, porquanto o mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé, dotou o espírito humano da luz da razão; e Deus não pode negar-se a si mesmo, nem a verdade jamais contradizer à verdade. A vã aparência de tal contradição nasce principalmente ou de os dogmas da fé não terem sido entendidos e expostos segundo a mente da Igreja, ou de se terem as simples opiniões em conta de axiomas certos da razão. Por conseguinte, "definimos como inteiramente falsas qualquer asserção contrária a uma verdade de fé" [V Concílio de Latrão]. (2)

1810. Cân. 1 – Se alguém afirmar que a razão humana é de tal modo independente, que Deus não possa impor-lhe a fé – seja excomungado [cf. nº 1789] (3)

1816. Cân. 1 - Se alguém disser que na revelação divina não há nenhum mistério verdadeiro e propriamente dito, mas que todos os dogmas da fé podem ser compreendidos e demonstrados pela razão, devidamente cultivada, por meio dos princípios naturais – seja excomungado [cf. nº 1795 sq]. (4)

Portanto, a partir destes textos conclui-se que não há contradição entre a Fé e a razão. E que um mistério divino não pode ser absolutamente conhecido pela razão, pois caso contrário deixaria de ser mistério, mas obviamente esse mistério não é irracional, mas racional, embora não totalmente ententido pela nossa razão.

No Catecismo(5) on-line do vaticano aind podemos encontrar estas defenições de fé:

176 A fé é uma adesão pessoal do homém inteiro a Deus que se revela. Compreende uma adesão da inteligência e da vontadade à Revelação que Deus fez de si mesmo mediante as suas obras e suas palavras.
177 "Crer" entranha, pois, uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à verdade por confiança na pessoa que a testifica.
178 Não devemos crer em ninguem que não seja Deus, Pai, Filho, e Espírito Santo.
179 A fé é um dom sobrenatural de Deus. Para crer, o homem necessita os auxilios interiores do Espírito Santo.
180 "Crer" é um acto humano, consciente e livre, que corresnponde à dignidade da pessoa humana.
181 "Crer" é um acto eclesial. A Fé da Igreja, precede, engendra, conduz e alimenta nossa fé. A Igreja é a mãe de todos os crentes. "Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja por mãe" ( S. Cipriano, unit. eccl.: PL4,503A).
182 "Cremos em todas aquelas coisas que se contêm na palavra de Deus escrita ou tranmitida e são propostas pela Igreja...para serem acreditadas como divinamente reveladas. (Paulo VI, SPF 20)
183 A fé é necessária para a salvação. O senhor mesmo o afirma: " Aquele que crê e seja baptisado se salvará; o que não crê, se condenará" (Mc 16,16).
184 "A fé é um gosto antecipado do conhecimento que nos fará bem-aventurados na vida futura" ( S. Tomás de A., comp. 1,2).

A fé é uma das três virtude teologais -- a saber: Fé, Esperança e Caridade -- porque é infundida (tal como as outras duas virtudes teologais) por Deus (ver ponto 179 acima) na alma dos fieis para faze-los capazes de obrar como seus filhos e merecer a vida eterna.

Assim, o catecismo define a Fé:

A Fé
1814 A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em todo o que Ele nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe, porque Ele é a própria verdade. Pela fé ' o homem se entrega inteira e livremente a Deus' (DV 5). Por isso o crente se esforça por conhecer e fazer a vontade de Deus. ' O justo viverá pela fé' (Rm 1, 17). A fé viva 'actua pela caridade' ( Gal 5,6).

1815 O dom da fé permanece no que não pecou contra ela (cf Cc. Trento: DS 1545). Mas, ' a fé sem obras está morta' ( St 2, 26): privada da esperança e da caridade, a fé não une plenamente o fiel a Cristo nem faz dele um membro vivo do seu corpo.

1816 O discípulo de Cristo não deve só guardar a fé e viver dela senão também professa-la, testemunha-la com firmeza e dinfundi-la: " Todos vivam preparados para confessar a Cristo diante dos homens e seguir-lhe pelo caminho da cruz por meio de perseguições que nunca faltam à Igreja" ( LG 42; cf DH 14). O serviço e o testemunho da fé são requeridos para a salvação: 'Todo aquele que se declara por mim ante os homens, eu também me declararei por ele ante meu Pai que está nos céus; mas a quem me megue ante os homens, o negarei também ante meu Pai que está nos céus' (Mt 10, 32-33).
Em suma: a Fé não se sente, nem é sentimental, é racional. É uma adesão da inteligência e da vontade à revelação de Deus que não pode mentir, nem enganar-se nem enganar-nos. A Fé não é uma adesão irracional nem sentimental ao sentimento romântico como se quer fazer crer no seio da Igreja Católica, principalmente por alguns membros do clero.
Acto de Fé
Meu Deus, eu creio tudo o que Vós revelastes e a Santa Igreja nos ensina, porque não podeis enganar-Vos nem enganar-nos.
E, expressamente, creio em Vós, único e verdadeiro Deus em três pessoas iguais e distintas: Pai, Filho e Espírito Santo; e creio em Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, morto e ressuscitado por nós, e que a cada um dará, segundo as suas obras, o prémio ou o castigo eterno. Nesta fé quero viver e morrer.
Senhor, aumentai a minha fé. Ámen. (7)

Actus fidei
Dómine Deus, firma fide credo et confíteor ómnia et síngula quæ sancta Ecclésia Cathólica propónit, quia tu, Deus, ea ómnia revelásti, qui es ætérna véritas et sapiéntia quæ nec fállere nec falli potest.In hac fíde vívere et mori státuo. Amen. (7)

(2) Associação Cultural Montfort, Documentos, Concílios. Concílio Vaticano I, Sessão III - Constituição Dogmática Sobre a Fé Católica. Capítulo IV - A Fé a Razão, parágrafo 1797 (1869 - 1870), em http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=concilios&artigo=vaticano1&lang=bra#s3cap3, acedido a 09/05/2007

(3) Associação Cultural Montfort, Documentos, Concílios. Concílio Vaticano I, Cânones sobre a Fé (1869 - 1870), em http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=concilios&artigo=vaticano1&lang=bra#s3cap3, acedido a 10/05/2007
(4) Associação Cultural Montfort, Documentos, Concílios. Cânones sobre a fé e a razão (1869 - 1870), em http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=concilios&artigo=vaticano1&lang=bra#s3cap3, acedido a 10/05/2007

(5) A Santa Sé, Arquivo, O catecismo da Igreja Católica, em http://www.vatican.va/archive/ESL0022/__P12.HTM, acedido a 31/05/2007

(6) A Santa Sé, Arquivo, O catecismo da Igreja Católica, em http://www.vatican.va/archive/ESL0022/__P67.HTM, acedido a 31/05/2007

(7) A Santa Sé, Arquivo, O Catecismo da Igreja Católica - Compêndio. Apêndice, Orações Comuns, Acto de Fé, em http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.html#A)%20ORAÇÕES%20COMUNS, acedido a 09/05/2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Pai Nosso, o antigo Padre Nosso

(1) Em Latim (clica para ouvir):

Pater noster, qui es in caelis,
Sanctificétur nomen tuum,
Advéniat regnum tuum,
Fiat volúntas tua, sicut in caelo, et in terra.
Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie.
Et dimítte nobis débita nostra, sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris.
Et ne nos indúcas in tentatiónem.
Sed líbera nos a malo. (2)


(3) Em Grego (clica para ouvir):













(4)

pronuncia-se, em bizantino, mais ou menos assim:

Páter himón ho en tis uranís, haghiasthíto tò ónomá su, elthéto hi vasiliá su, ghenithíto tò thélimá su, hos en uranói kè epì ghís; tòn árton himón tón epiúsion dhós himín símeron, kè áfes himín tà ofilímata himón, hos kè himís afíkamen tís ofilétes himón, kè mì isenéggis himas is pirasmón allà ríse himás apò tu ponirú.
..................................................

(1) Canto Gregoriano, Diversos Cantos selecionados (15/06/2005). Pater Noster, em http://www.christusrex.org/www2/cantgreg/cantos_selec.html, acedido a 23 de Fevereiro de 2007.

(2) São Mateus, capítulo 6, versículo 9 - 13, Evangelium secundum Matthaeum, Nova Vulgata, em
http://www.sanpiodapietrelcina.org/vulgata/mt.htm, acedido a 23 de Fevereiro de 2007.

(3) The Church of Greece, Chanting, The Small Paraklesis to the Theotokos (Unpublished live recording from Athos Holy Mountain), Pai Nosso, no tempo 20 min e 20 sec até ao tempo 20 min e 45 sec, em
http://www.ecclesia.gr/Multimedia/Audio_index/audioindex_en.html, acedido a 23 de Fevereiro de 2007)

(4) São Mateus, capítulo 6, versículo 9 - 13, Gospel in Greek, em http://www.sanpiodapietrelcina.org/greco/mt/15.htm, acedido a 23 de Fevereiro de 2007)


quinta-feira, dezembro 07, 2006

De alguns animais domésticos de que me servi para me estimular na prática da virtude

O Espírito Santo disse-me: Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga, observa seu proceder e torna-te sábio (Pr. 6, 6), e eu não aprenderei somente da formiga, senão também do galo, do burro e do cão. Quis dedit gallo intelligentiam? (Job 38,36*:Quem deu ao galo inteligência?) Gallus cantavit. (Mc 14, 68: o galo cantou.)
[*Quem pôs a sabedoria nas nuvens, e a inteligência no meteoro?]
O galo
1º) O galo chama-me, e eu como Pedro, devo recordar-me de meus pecados para chora-los.

2º) O galo canta e nas horas do dia e da noite. Eu devo louvar a Deus todas as horas do dia e da noite. E, além do mais, devo exortar aos para que o façam.
3º) O galo de dia e de noite vigia a sua família. Eu Devo vigiar dia e noite as almas que o Senhor me confiou.

4º) O galo, ao mais pequeno rumor ou apreensão de perigo, dá voz de alarme. Eu devo fazer o mesmo: avisar as almas ao mais pequeno perigo de pecar.
5º) O galo defende a sua família quando o gavião ou outro animal ou ave de rapina vem para ataca-la. Eu devo defender as almas que o Senhor me confiou dos gaviões, de erros, vícios e pecados.

6º) O galo é muito generoso; mal encontra alguma coisa que possa servir de alimento, quando, privando-se dela, chama as galinhas para que o colham. Eu devo abster-me de regalos e conveniências e ser generoso e caritativo com os pobres e necessitados.

7º) O galo antes de cantar move as asas. Eu antes de pregar devo mover e bater as asas do estudo e da oração.

8º) O galo é muito fecundo. Eu devo sê-lo espiritualmente, de modo que possa dizer com o Apóstolo: Per evangelium ego vos genui (Cor. 4, 15: fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho.)


O burro
Ut jumentum factus sum apud te, et ego semper tecum. (Sal. 72, 32: Como jumento estive ao pé de ti; e estive sempre contigo)
1º) O burro é o animal mais humilde por natureza; o seu nome é de desprezo; a sua habitação é o lugar mais humilde y mais baixo da casa, a sua comida é pobre, e pobre são todos os seus equipamentos. Eu também devo procurar que a habitação, comida e vestido sejam pobres, a fim de procurar a humilhação e o desprezo dos homens, e assim poder alcançar a virtude da humildade, já que por natureza corrompida sou soberbo e orgulhoso.
2º) O burro é o animal muito paciente; leva as gentes e as cargas e sofre os golpes sem queijar-se. Eu também devo ser muito paciente em levar as cargas de minhas obrigações e sofrer com resignação e na condição de manso as penas, trabalhos, perseguições e calúnias.
3º) A Santíssima Virgem Maria valeu-se do burro quando foi a Belém para dar a luz seu filho Jesus, e quando fugiu para o Egipto, para libertar-se de Herodes. Eu também me ofereço a Maria Santíssima para levar com gosto a alegria a sua devoção e pregar nas suas excelências, nas suas alegrias, e em suas dores e ademais meditarei dia e noite nesses santos e adoráveis mistérios.
4º) Jesus valeu-se do burro quando quis entrar triunfante em Jerusalém. Eu também me ofereço de bom grado a Jesus, por si se quer valer de mim para entrar triunfante dos inimigos: mundo, demónio e carne nas almas convertidas e nas populações; com o bom entendimento que as honras e os elogios que me pagam, pensarei que não são para mim, que sou o burro, senão para Jesus, cuja dignidade, ainda que indigno, levo.

O cão
Canes muti qui non valuerunt latrare (Is. 56, 10:cães mudos incapazes de latir)
1º) O cão é um animal tão fiel e tão constante companheiro de seu amo, que nem a miséria, nem a pobreza, nem os trabalhos, nem outra coisa alguma é capaz de faze-lo separar de seu dono. O mesmo devo eu fazer; tão fiel, tão constante hei de ser no serviço de e amor de Deus, que possa dizer como o Apóstolo que nem a morte, nem a vida, nem outra coisa alguma possa separar-me.
2º) O cão é mais leal que um filho, mais obediente que um criado e mais dócil que uma criança. Não somente faz voluntariamente o que o amo lhe manda, senão que presta atenção à cara do amo para conhecer sua inclinação e vontade, a fim de cumprir sem esperar que o mande, o que faz com a maior prontidão e alegria, e ainda se faz participante dos afectos do amo; por maneira que é amigo dos amigos do amo e inimigo de seus inimigos. Eu devo praticar todas estas belas qualidades no serviço de Deus, meu querido Amo. Sim, de bom grado farei o que me mandar, estudarei a sua vontade para cumpri-la, sem esperar que me mande; executarei com prontidão e alegria tudo o que disponha por seus representantes que são meus Superiores. Serei amigo dos amigos de Deus e tratarei como Ele disponha, ladrando contra as suas maldades para que desistam delas.
3º) O cão vigia de dia e pela noite redobra a sua vigilância; ele guarda a pessoa do amo e todas as coisas que ao amo pertencem; ele ladra e ataca a quantos conhece ou prevê que podem prejudicar o seu amo e seus interesses. Eu devo procurar vigiar continuamente e declamar contra os vícios, culpas e pecados, e contra os inimigos da alma.
4º) O maior gosto que o cão tem é estar e andar na presença do seu amo. Eu procurarei andar sempre com gosto e alegria na presença de Deus, meu querido Amo, e assim não pecarei nunca, e serei perfeito, segundo aquela palavra: Ambula coram me, et esto perfectus (Gen. 17,1: Anda em minha presença e sê íntegr0;.)
[Stat Veirtas, San ANTONIO MARÍA CLARET, “Escritos autobiográficos”, (2006). De algunos animales domésticos de que me he servido para estimularme a la práctica de las virtudes, em: http://www.statveritas.com.ar/Santos/SAMClaret-02.htm, acedido a 08/12/2006]

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Feliz é a Virgem nossa mãe

Ó Cristo, feliz é a Virgem nossa Mãe, porque perante a saudação do Anjo acreditou que se haveria de realizar tudo o que lhe fora anunciado. A nós, que não cessamos de celebrar a sua conceição virginal, fazei que cheguemos em pureza à solenidade do vosso Natal.

Oração Visigótica. [Congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima (2006). Maria na nossa vida. Acedido a 06/12/2006 em http://www.reparadorasfatima.pt/]


segunda-feira, julho 25, 2005

Anjos e Demónios -- Homem

Deus somente criou aquilo que é material no mundo?
Deus não criou somente aquilo que é material no mundo, mas também os puros espíritos e cria a alma de cada Homem.

Que são os puros espíritos?
São seres inteligentes sem corpo.

Quem são os anjos?
São ministros invisíveis de Deus, e também nossos guardas.

Os demónios quem são?
São anjos que se revoltaram contra Deus por soberba e foram precipitados no inferno, os quais, por ódio contra Deus, tentam o Homem para o mal.

Quem é o Homem?
É um ser racional composto de alma e corpo.

Que é a alma?
É a parte espiritual do Homem, pela qual ele vive, entende e é livre.

A alma do Homem não morre com o corpo?
Não; vive eternamente, porque é espiritual.

Que cuidados devemos ter com a alma?
Com a alma devemos ter o máximo cuidado porque só salvando a alma seremos eternamente felizes.

terça-feira, maio 31, 2005

E tambem criou os Anjos

Arcanjo Miguel
Quem São os Anjos?
Os Anjos são espíritos que Deus criou por amor.
Para que servem os Anjos?
Deus criou os Anjos para O amarem e servirem, e participarem da Sua felicidade.
Um dia, Deus mandou um Anjos dizer a Nossa Senhora que A tinha escolhido para ser a Mãe de Jesus.
Deus enviou ainda os Seus Anjos à Terra, em muitas outras ocasiões.
Depois de cumprirem o que Deus lhes manda, os Anjos desaparecem, porque não têm corpo.
Os Anjos são espíritos criados por Deus.
Deus criou os Anjos para O amarem, para O servirem, e para viverem com Ele no Céu.
No Céu, os Anjos adoram e louvam a Deus, e fazem sempre a Sua vontade.
Anjos do Senhor, ajudai-nos a amar e servir Deus!
in Catecismo de 1963

quarta-feira, maio 25, 2005

Deus criou-nos com uma alma espiritual


São Francisco de Assis.
Diz assim no catecismo:
Nós pensamos e aprendemos muitas coisas.
Nós amamos nossos pais, irmãos e outras pessoas.
Nós amamos a Deus e rezamos-Lhe.
Fazemos tudo isto, porque temos uma alma espiritual criada à semelhança de Deus. Os animais não podem fazer, por não terem uma alma como a nossa.
A nossa alma não pode morrer. O corpo é que morre, quando a alma se separa dele.
[...]
Porque somos superiores aos animais?
Somos superiores aos animais porque temos uma alma espiritual, criada à semelhança de Deus.

Deus criou-nos para vivermos com Ele

Estava a desfolhar coisas antigas e descobri um catecismo de 1963. Achei que era bom pôr alguns dos seus artigos aqui:

Os pais fazem tudo, para que nada falte a seus filhos. Deus também criou tudo o que nos podia fazer falta. Mas a nós criou-nos para Ele.
Enquanto vivermos no Mundo, devemos

  • procurar conhece-Lo;
  • fazer Sua vontade;
  • mostrar-lhe o nosso amor.

Se assim fizermos, Deus levar-nos á, um dia, para junto d'Ele, no Céu.

No Céu, viveremos felizes para sempre.

segunda-feira, maio 23, 2005

Código DaVinci

«...é para o povão, que adora festas glamurosas. Aí “O Código da Vinci” estará no seu ambiente, uma vez que o filme é muito mais compatível que o livro com a paralisia do pensamento. Além disso, a história é um thriller, com seus indefectíveis assassinatos e correrias por seca e Meca, e portanto muito mais propícia a insuflar a sua mensagem ideológica, nas mentes desarmadas dos espectadores, por meio das cenas de ação do cinema, do que pelos relatos pseudo-históricos do livro. De resto, o cinema presta-se à maravilha para explorar o “Código Voltaire”, isto é, a conspiração informal da “cultura” contra o Cristianismo. Quem se lembraria ainda do sub-mental Jean-Luc Goddard e de seus placards ideológicos filmados, sem o blasfemo “Je Vous Salue Marie”? Que seria do delirante Buñuel, e do sórdido Almodóvar, e do crasso Kazantzakis de “A Última Tentação de Cristo”, e desse facinoroso Luc Bresson, com a sua Joana D´Arc de hospício, sem o chamado “cinema de arte” e sua guerra de emboscadas contra Deus e a Igreja ? Quem daria um real por essas “obras de arte”, despojadas de seu conteúdo de mentira, escândalo e calúnia, devidamente louvado como o ”non plus ultra” da inteligência pela ensurdecedora barragem de propaganda que as cerca ? Mas o povo, com a sua inata sanidade mental básica, não assiste a “cinema de arte”. Daí porque fatalmente o “Código Da Vinci” chegará aos cinemas populares, e depois a todas as casas por meio da “telinha”. E o que era um alinhavado de falsidades inverossímeis, à custa de ser reiterado e repetido, será aceito por milhões como verdade histórica, como vem seguidamente acontecendo. »

in www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas& subsecao=cronicas&artigo=codigovoltaire&lang=bra

Apresentação

Decidi criar este blog que tratará de coisas beatas.
Este é um blog para todos, até para aqueles que não querem saber dele, até porque duvido que o encontrem, mas se está a ler isto é porque o encontrou e isso é bom.

Como ensinou São Paulo: "prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente" (II Timóteo VI,2).